24 de nov. de 2009

Magia: Ritual, Poder e Propósito - Parte 3




3º capítulo do livro de E. W. Butler:


Capítulo 3 –A Tese Mágica 


Deixando de lado toda a multidão de detalhes que rodeiam o assunto, devotaremos esse capítulo à consideração da teoria mágica do homem e do universo. A tradição da magia afirma que o universo é uno e que nenhuma parte desse universo está  in esse separada da outra. Como diz o poeta, “tudo não passa de parte de um Todo estupendo”. Tudo que existe no universo é, portanto, a expressão da unidade que subsiste por meio de todas as coisas. 


Isso pode ser condenado como mero “panteísmo”, mas, na realidade, não é assim, pois por trás da unidade subjacente que expressa a si mesma no universo real, existe aquilo de que a 
alma universal, o conjunto da vida e da forma não passa de expressão. “Tendo criado o Universo com um Fragmento de Mim mesmo, Eu permaneço”, diz a deidade na escritura Hindu, o Bhagavad Gita. Um deus imanente e também transcendente é o deus do mago. 

O uno transcendental, de acordo com os ensinamentos mágicos, está refletido nas águas do caos e da noite antiga, e essa reflexão do supremo, conhecida como Adam Kadmon, traz a ordem ao caos. Como descreve um ritual de magia: “No começo havia o Caos e as Trevas e 
os portais da Terra da Noite. E o Caos clamou pela unidade. Então, ergueu-se o eterno. Diante do brilho desse Semblante, as Trevas recuaram e as Sombras fugiram.” Essa reflexão profunda, o Adam Kadmon ou o Grande Homem da Cabala, é o Logos “por quem todas as coisas foram feitas”,o brilho de sua glória e a imagem expressa da sua pessoa. Entretanto, nada nesse universo que não seja parte integral do Logos. Todas as coisas subsistem nessa unidade subjacente, como afirma o poeta grego citado por São Paulo “... pois nós também somos Seus rebentos”. 

A alma humana é parte de um universo maior e é ela própria uma réplica desse universo. Na magia, costuma-se dizer que o homem é o microcosmo dentro do macrocosmo, o pequeno universo dentro do universo maior. Para o mago, não existe algo que se pareça com a chamada “matéria morta” no sentido vitoriano. Na verdade, porque sua visão é devido ao fato de já subsistir como parte da vida eterna, é que qualquer coisa material pode existir no tempo e no espaço. O que vemos “aqui embaixo” como um pedaço inerte de metal é, para o mago, a aparência material de inumeráveis centros de energia saindo dos mundos invisíveis para o centro vivo de tudo. “O Espírito do Senhor preenche a Terra”, e para o verdadeiro mago nada é vulgar ou sujo, tudo serve a um propósito e é expressão da vida do Eterno. Isso é declarado no ritual pelo adepto iniciado, que proclama: “Não existe parte de mim que não seja dos Deuses.” 

“Os Deuses”. Será que os magos acreditam em muitos deuses? Sim, mas a visão que têm de sua natureza não é bem aquilo que se poderia esperar deles. Eles encontram no universo invisível um campo de poder no qual inúmeras forças interagem, cada qual sendo um aspecto do Supremo. E, nessas energias cintilantes e dançantes, eles vêem a unidade de uma vida, filhos de Deus, que evoluíram em universos precedentes e que, agindo como canais perfeitos para o supremo poder, são como lentes vivas através das quais o poder é emanado para baixo. Eles são os Dyans Chohans das escrituras orientais, os Ministros, Chamas do Fogo da Bíblia; e aquele raio de Seu ser essencial que flui da Unidade e é refocalizado no tempo e no espaço é a “substância” no sentido teológico da qual se compõe o universal “real”, no qual as qualidades secundárias daquilo que chamamos de matéria se manifestam – criando os “acidentes” da teologia. 

Dessa maneira, na filosofia da magia, não existe tal coisa como “matéria morta”  per se. Toda a matéria, toda manifestação não passa de expressão de toda vida que tudo permeia – 
na verdade, é esta vida em uma de suas inumeráveis formas de existência. Acreditando, assim, na estrutura viva do universo, o mago conclui que, assim como o poder da unidade se manifesta por intermédio de Seus Ministros, também nos planos mais densos e mais inferiores de sua auto-expressão, inúmeras hostes de inteligências menores implementam Seus planos – “Anjos e Arcanjos, Tronos, Dominações, Principados, Virtudes, Poderes; Querubins e Serafins , Ashin e todas as Hostes Celestiais imemoriais” -, cada uma no seu nível. 

O mago, vendo como o Supremo “constitui os serviços dos anjos e dos homens em ordem perfeita”, não se vê como um estranho no universo nem mesmo como um ser apartado dele, mas como parte dessa diversidade viva na unidade, e diz o velho iniciado grego: “Eu sou a criança da Terra, mas minha raça veio das Estrelas dos Céus.” 

Desviando o olhar das moradas celestiais, o mago se vê em Malkuth, o Reino da Terra, e percebe que essa existência imperfeita, frustrante no corpo físico, é imperfeita porque, embora conheça via intelecto a realidade por trás das aparências, ele ainda não foi capaz de perceber essa realidade no plano físico. “Não sabeis que vós sois deuses”, diz a escritura cristã, e um poeta moderno cantou: “Saiba disso, oh, homem, a raiz úncia da falha em vós é não reconhecer a vossa própria divindade”. 

Na entrada do Templo do Oráculo de Delphos na antiguidade estava gravada a seguinte inscrição: “Gnothi Se Auton” – Conhece-te a ti mesmo! A percepção da verdadeira natureza do eu é a meta do verdadeiro mago. Seguindo esse princípio e mirando seu interior, o mago contempla um mundo decaído. Ele vê que o plano primordial sobre qual o homem foi formado lá está, brilhando por todo o universo como a suprema harmonia e beleza e, através dessa luz, ele vê o ideal no qual o seu verdadeiro eu está fundamentado e pelo qual é sustentado. 

Então, olhando para o exterior, ele vê em sua própria natureza e na natureza de tudo que o 
cerca as provas da queda e o potencial da perfeição. Mas em meio a essa queda ele vê as provas do retorno e, mediante o sofrimento de miríades de vidas, percebe que o caminho da salvação é o caminho do sacrifício. 

Assim ele formula o velho axioma hermético Solve et Coagula que pode ser reconstituído como “Dissolve e reforma”, ele usa os ritos da Alta Magia para efetuar a dissolução e a reformulação. 

Mas o que é dissolvido, e o que é reconstituído? Não a eterna centelha que “alumia o todo homem” – ao contrário, é o ego pessoal que, por tanto tempo, vem sendo visto por ele como seu único e real ser; essa personalidade à qual ele tenazmente se agarrou e defendeu, mirou e serviu; não passa de sua persona essa máscara que encobre o homem real, que tem que ser dissolvida e reformada. Mas como aquilo que é imperfeito pode produzir a perfeição? “A natureza desassistida fracassa”, diziam os antigos alquimistas, e nas escrituras lemos “Somente o Senhor edifica a casa, o trabalhador trabalha em vão”. Assim, o mago, com toda humildade, procura o conhecimento e a conversação com o seu Sagrado Anjo Guardião – aquele verdadeiro eu, do qual a personalidade terrena é apenas uma máscara. 

Esse é o objetivo supremo do mago. Tudo mais, trabalhos e encantamentos, rituais e círculos, espadas, baquetas e fumigações, tudo não passa de meios pelos quais ele chegará com triunfo ao final. Então, tendo-se unido a esse verdadeiro eu – mesmo por um tempo breve -, ele é instruído por esse governante interior na Alta Magia que um dia elevará a sua humanidade à sua divindade e então realizará aquilo que os mistérios verdadeiros vêm sempre declarando o objetivo verdadeiro do homem – a deificação. 



Continua... Cap 4 - Instrumento da Magia

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A Magia e o Mago – E. W. Butler
Ed Bertrand – 2a Edição
Magia: Ritual, Poder e Propósito

Imagem disponível em: http://www.conscienciacosmica.com.br/ciencia-cabala-cristianismo.htm

23 de nov. de 2009

Definições Básicas das Entidades Espirituais

Retomando o estudo de J.R.R.ABRAHÃO:


"Quem é Quem"


Todas as entidades espirituais emanam da Divina Providência. Portanto, toda entidade espiritual é semelhante. Sua unidade é básica, suas diferenças são superficiais. 

Deuses - entidades espirituais de grande poder, criadas por uma cultura ou sociedade. 

Anjo - entidade espiritual dedicada ao serviço da Luz, à obra cósmica; é uma "inteligência original". 

Demônio - entidade espiritual dedicada ao serviço do caos, no serviço das trevas; é uma inteligência original oposta. 

Elemental - entidade espiritual formada de um único elemento filosófico, e a este atada. 

Espírito planetário - entidade espiritual formada das qualidades de um único astro celeste, e a este atada. 
Elemental artificial - o mesmo que elemental, mas criado pela mente humana, muitas vezes inconscientemente. Pode ser benéfico ou maléfico. 

Elemental fabricado - quase a mesma coisa que o Elemental artificial, mas criado sempre de forma consciente, normalmente com intenções maléficas. 

Familiar (ou Famaliá) - entidade espiritual que pode ser de uma grande variedade, desde o "espírito" de um antepassado, aprisionado por meios mágicos, até seu "cascarão" avivado magicamente, com o uso de uma entidade criada para esse fim. Em geral serve a uma pessoa, ou a um grupo restrito de pessoas. A esse respeito, ler os trabalhos referentes a Egum, especialmente os de autoria de Fernandes Portugal, Anthony Ferreira, Jorge Alberto Varanda e Luís de Jagum. Os trabalhos de Fernandes Portugal (Yorubana), são os mais completos, mas talvez um pouco herméticos para os não-iniciados no Candomblé. Vale conferir. 

Homúnculo - entidade espiritual, criada por um individuo, na forma de um ser humano, que tem em si "colocadas" algumas substâncias materiais num "corpo físico" sem funções mágicas. Seu corpo físico pode, porém, ser magicamente animado mediante práticas específicas (ver Initiation into Hermetics, de Franz Bardon). Muitas vezes chamado de "Golem", que, porém, geralmente, utiliza materiais orgânicos em sua execução, até mesmo de origem humana. 

Imagem Talismânica - o mesmo que Homúnculo (quando em forma humanóide) ou Assentamento (quando de qualquer outro formato). 

Psichogone - elementar ou elemental-artificial criado por meio da Magia Sexual. Não confundir com Íncubos e Súcubos. 

Vampiro - entidade espiritual que suga vitalidades, à força, de seres vivos. Muitas seitas de Magia Negra fazem uso deste tipo de Entidade, embora não exclusivamente delas (Kahunas, Quimbanda, etc.). 

Súcubos - entidade espiritual - vampiro sexual em forma feminina. 

Íncubos - entidade espiritual - vampiro sexual em forma masculina. 

Guardião - entidade espiritual criada conscientemente por alguém, para dar-lhe proteção (ou a terceiros). 

Mensageiro - entidade espiritual que é a forma objetiva dos defeitos, imperfeições, vícios e paixões individuais - é um "demônio espiritual" individual. Diferentemente de Choronzon (ver adendo logo adiante), que mantém-se incógnito, invisível e caracteriza-se por ser um "mau-conselheiro" ou "mau-anjo-da-guarda", numa alegoria ao indivíduo com um anjo pousado em seu ombro direito e um demônio encarapitado em seu ombro esquerdo, o Mensageiro é uma personificação positiva de nossos defeitos, vícios e paixões, de molde a que possamos contactá-lo e conhecê-lo, manejando assim positivamente nossas imperfeições. Alguns ocultistas chamam essa entidade de "Terror do Umbral", que é a mesmíssima coisa. A linha que separa o Mensageiro de Choronzon é estreita e, muitas vezes, pouco perceptível; portanto, cautela. Para o ritual de contactar o Mensageiro, veja o livro "O Diário de Um Mago", de Paulo Coelho. Outra técnica de resultados semelhantes pode ser encontrada no livro "Praticas e Exercícios Ocultos", de Gareth Knight (pag.28, O Guia da Meditação.); ao ler a técnica lá descrita, observe com atenção a advertência. 

Demônio da Guarda - conceito difundido pelo ocultista italiano Frank G. Ripel, que indica um "Espírito Guardião" que é a representação objetiva das "Correntes Tifonianas". 

Anjo da guarda - conceito difundido através da obra "A Magia Sagrada de Abramelin", com uma conhecidíssima sigla em inglês (HGA), abreviatura do termo em inglês (Holly Guardian Angel); esse conceito foi trazido ao público por S.L.MacGregor-Mathers, mas popularizado por Aleister Crowley; entidade espiritual conhecida como Eu Superior - forma objetiva do que em forma subjetiva podemos entender como a centelha divina que habita todo e qualquer ser humano. Representa de forma objetiva as "Correntes Draconianas". Mas não é simplesmente isso. Ver o adendo logo a seguir sobre o Augoeides e Choronzon. 

Anjo-Demônio da Guarda - conceito também difundido por Frank G. Ripel; simboliza, objetivamente, a união das "Correntes Draconianas e Tifonianas", portanto, o "Poder Serpentino" despertado. 

Gênio Protetor - é o que popularmente é chamado de "Anjo da Guarda" ou "Guia"; pode ser um espírito humano desencarnado, ou mesmo uma inteligência ainda incorpórea, que recebe a missão, quando do nascimento de alguém, de sua "guarda" ou "aconselhamento". Está muito próximo durante a infância, distanciando-se pouco a pouco conforme a pessoa vai ficando mais velha; em geral, afasta-se após a adolescência, exceto quando a pessoa busca seu "contato". 

Imagens Telesmáticas - aparência física objetiva que diversas entidades espirituais objetivas e as energias subjetivas utilizam-se para mostrar-se à psique humana. Imagens Telesmáticas são o mais elevado método de criação consciente, aonde as entidades espirituais objetivas são construidas a partir de sua essência subjetiva, do ponto complexo finalizado, através de um processo racional de correspondência. 

A criação das imagens Telesmáticas pode ser comparada ao processo da vida. Começa com um impulso inicial, utiliza-se de materiais e técnicas diversos, e então evolui num padrão que é constituido de numerosos blocos completos. A Imagem Telesmáticas é uma fusão de forças, desejos e EMOÇÕES às quais foi dada uma forma, através da vontade criativa do Mago. Possui sua própria identidade e um senso de proposta de existência que gira em torno do motivo da missão, que foi criada para cumprir. Uma vez criada, viva, teme a morte, e usará de todas as suas limitadas habilidades para evitar a dispersão do seu ser. Quanto mais tempo viver, mais forte e complexa ficará, pois continuará a sugar identidade do Mago que a criou. Não são criaturas só do ego do Mago, sua natureza vem de Deus. Essas entidades espirituais tornam-se tão concretas com o tempo, que são facilmente percebidas, ouvidas e até vistas, por pessoas que não sabem da sua existência. Quando são formadas por um grupo de pessoas, de Magos, tornam-se a Egrégora particular desse grupo, como ocorre com as Lojas Mágicas das inúmeras Ordens Iniciáticas, com os Templos das mais variadas religiões, ou com as Máquinas Radiônicas. O processo de criação de Imagens Telesmáticas foi desenvolvido pela Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn). 

Espírito zodiacal - entidade espiritual formada de qualidades intrínsecas de um único signo ou grau do zodíaco celeste e a ele atada. 

Larva - entidade espiritual criada por fortes emoções de uma pessoa, ou como seu servidor pessoal mágico (criado então de forma consciente). 

Elementar - entidade espiritual criada por um indivíduo, como seu serviçal mágico (de forma consciente). Pode ter as mais variadas formas e funções, até mesmo ser simbolizado como um desenho ou letras agrupadas (Sigilo). Ver "Liber Null & Psychonaut", de Peter J. Carroll; "Initiation into Hermetics", de Franz Bardon. Podem ser simplesmente "Artificiais" (criados inconscientemente) ou "Fabricados" (criados de forma consciente). 

Sombra - entidade espiritual que é um tipo complexo de larva. 

Fantasma - entidade espiritual que consiste num cascarão (cadáveres de corpo astral) habitado por um tipo de larva - o que pode ocorrer de forma consciente ou inconsciente, isto é, essa criação pode ser voluntária ou involuntária. 

Autômatos do Subconsciente - definição de Austin Osman Spare sobre os Espíritos-Guia. 

Arquétipo - os primeiros modelos do Universo são os Arquétipos; são as estruturas psíquicas individuais, capazes de produzir símbolos, imagens e fantasias inerentes às experiências fundamentais da humanidade. É através dos Arquétipos que é possível, ao indivíduo, remontar às fontes do conhecimento. Como exemplos de Arquétipos, podemos citar os Arcanos do Tarot, as Runas, as Figuras Geomânticas, os Símbolos Planetários e Zodiacais, etc. 

Poltergeist - palavra alemã que significa Espírito Brincalhão; em parapsicologia, designa fenômenos paranormais como, por exemplo, ruídos sem causa aparente, objetos que movem-se sozinhos (até mesmo caindo sozinhos e "voando" sem impulso nenhum, por ninguém), luzes apagando e acendendo sozinhas, fogo espontâneo, etc. 

Egrégora - forma-pensamento criada por um grupo de pessoas, que pode ser desde um grupo de Magos de uma mesma Loja Mágica até uma comunidade toda, até mesmo uma sociedade inteira. Segundo definem os Thelemitas, é uma forma-pensamento ou semelhante, criada por um Mago, e adotada por outro ou outros. 

Orixá - Entidade do grupo de Deuses Internos do Homem, formadores, em conjunto, da Egrégora do Panteão Afro, da Nação Alaketu do Candomblé. 

Vodun - cabe aqui o que foi dito sobre os Orixás, no item anterior, só que dizendo respeito ao Candomblé de Nação Gege ou Gege-Mahim ou Gege-Marrim. 

Domovoi - Espírito da Casa, Egrégora das moradias, a parte Astral e Mental das residências. Na Polonia costuma-se removê-lo quando se muda. 

Inkice - idem aos Voduns, mas da Nação Angola-Congo. 

Loa - o mesmo que Inkices, só que do Panteão do Vudú, Voudon e Hoodoo. 

Exu - Entidade intermediária entre os seres humanos e os Orixás. 

Eshú - idem Exu. 

Exu de Quimbanda - Demônio masculino autêntico. 

Pomba-Gira - Demônio feminino autêntico. 

Bombom-Gira - Como Exu, mas entre os homens e os Inkices. 

Bongo-N-Gira - idem Bombom-Gira. 

Legbá - idem Exu, mas com relação aos Voduns. 

Elegbara - idem Legbá. 

Bara - idem Legbá e Exu. 

Ajé - Entidade malévola, Entidade máxima dos feiticeiros e feiticeiras malfazejos da cultura Nagô. 

Egum - Cascarão de pessoas mortas, magicamente avivado, e então habitado por Entidade criada artificialmente; manifesta-se no Candomblé. 

Preto Velho - Mesmo que Egum, mas manifesta-se na Umbanda e na Quimbanda. Representa um espírito sábio e idoso. 

Caboclo - O mesmo que Preto-Velho, mas representa um espírito valente e guerreiro; é tido por muitos como "encantado". 

Caboclo Boiadeiro - Como Caboclo, com suas peculiaridades de "aculturado". 

Guia - Espírito que "guia" o indivíduo em suas ações; pode "guiá-lo" para o bem ou para o mal, para o sucesso ou para o fracasso. 

Quiumba, Kiumba - Entidades trevosas, sendo basicamente larvas ou coisas semelhantes que habitam cascarões abandonados de pessoas malfazejas. 

Santo Católico - Entidade Egregórica, Imagem Telesmática, criada pelos seus crentes. Aliás, o mesmo pode ocorrer com as Entidades de Umbanda e Quimbanda, ao "divinizarem" alguém; por exemplo, ZÉ PELINTRA. 

Assentamento - ver Igbá. 

Igbá, Ibá, Assentamento - pote ou receptáculo semelhante, que serve de corpo físico para Entidade criada artificialmente, com qualquer finalidade. Ver Imagem Talismânica. 

Prenda - o mesmo que Igbá. 

Nganga - como Prenda. 

Nkisi - como Nganga. 

Ndoki - como Nkisi. 

Observação - as entidades espirituais vampiros, íncubos e súcubos podem ser criadas conscientemente ou inconscientemente, sendo sempre criações individuais ou grupais que podem agir contra o criador ou contra terceiros. Mas sempre agem contra alguém. Nunca são benéficos mas prejudiciais. Sào essas entidades os habitantes das Qliphots. 

É importante saber que a "Hierarquia dos Deuses Internos do Homem" é mais uma das hierarquias que governam o nosso Universo, nosso Sistema Solar; portanto, não é apenas uma Egrégora, mas também uma hierarquia, da qual existem muitas. 

Em sua Evocação, portanto, ocorre o mesmo que em qualquer Evocação Mágica, de Entidades de qualquer hierarquia. Isto é, a operação mágica em questão atua tanto na psique do Mago, como no mundo exterior. 

Aos praticantes da Evocação Mágica, portanto, fica a sugestão de que trabalhem com essa poderosa hierarquia da mesma forma que trabalham com qualquer outra. Todos os riscos que se aplicam às outras Hierarquias, nesse tocante, valem aqui.

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Fonte: Curso de Magia (Teórica e Prática), 
por J.R.R.ABRAHÃO.
Imagem disponível em:  www.caiofabio.com

20 de nov. de 2009

Magia: Ritual, Poder e Propósito - Parte 2




Dando prosseguimento ao livro de E. W. Butler, vejamos o 2º capítulo:


Capítulo 2 – A Personalidade humana


O problema da personalidade humana é um dos que permaneceu sem solução por muitos séculos no mundo ocidental. O pensamento oriental desenvolveu uma classificação da personalidade que esclarece muita coisa sobre os processos mentais do homem, mas a teologia dogmática do ocidente, até a época atual, vem limitando um desenvolvimento similar do pensamento ocidental sobre o assunto.

Entretanto, nestes últimos anos, muitos fatores sobre os quais a religião dogmática não tem controle vêm conspirando para desenvolver uma visão mais verdadeira da real natureza da personalidade do que até aqui tem sido tem  sido mostrado. A velha psicologia acadêmica lidava somente com a mente vígil, e seus métodos de pesquisa baseavam-se principalmente 
na introspecção da mente sobre si mesma. Mas muitos fatores que começaram a emergir apontaram para a possibilidade de a mente do homem ser maior do que se imaginava. O fenômeno observado do mesmerismo e do hipnotismo, a telepatia e as maravilhas psíquicas 
dos espiritualistas começaram a mostrar a necessidade de uma nova psicologia, fundada então sobre base mais ampla do que sua antecessora acadêmica. 



F. W. H. Myers, em seu importante livro A  Personalidade Humana, esboçou a teoria geral do que ele denominou “mente subliminar”. A idéia geral (que ainda permanece válida) era a de que o pensamento consciente fosse parte da mente que estava acima de um certo nível de consciência conhecido como limiar ou entrada. Esse nível supralimiar ou acima do patamar de consciência não é, entretanto, o único nível de consciência. Abaixo dele existem outras camadas de consciência, e essas camadas são denominadas níveis subliminares ou, geralmente, o “subconsciente”. 

Assim, a mente humana, de acordo com essa hipótese, é dual, tendo um nível consciente ou vígil e um subconsciente, que permanece abaixo do limiar. Myers mostrou que todos os fenômenos que ele estava considerando podiam ser explicados com aceitação de que,  sob certas condições e por meio de certos canais, o subconsciente podia entrar em erupção e emergir para a vida vígil. Ele mostrou também que esse nível subconsciente de pensamento 
era muito maior em extensão e potencialidade em relação ao nível consciente da personalidade. 

O símile usualmente empregado é o do iceberg, cuja maior parcela esta oculta pelo oceano. Tal símile é excelente, uma vez que o comportamento dessas montanhas de gelo muito se aproxima do comportamento da própria mente. Acontece freqüentemente de o iceberg, embora o vento possa estar soprando sobre uma de suas extremidades, se mover na direção contrária, uma vez que seu gigantesco corpo submerso sofre muito mais os efeitos das correntes marítimas bem abaixo da superfície. Assim se dá com a mente humana. 

Sobre essa nova concepção, uma nova psicologia começou a ser construída, e dois homens sobressaíram como pioneiros. O primeiro foi Sigmund Freud, e o segundo, seu aluno C. G. Jung. A psicologia freudiana é familiar para o público em geral devido sua insistência sobre o elemento sexual na doença psicológica. Jung discordou  dessa versão radical e, gradativamente, criou o que é conhecido como a “Escola de Zurique”. Do ponto de vista do mago, não resta a menor dúvida de que Jung está mais próximo dos fatos do que os freudianos, e são certos aspectos do seu sistema que destacarei resumidamente. 

Está entendido que, por trás da vida manifestada de animais e homens, existe uma força impulsionadora que tem recebido muitos nomes. Os psicólogos se referem a ela como libido ou, algumas vezes, como Id. Esse impulso básico se manifesta naquilo que é chamado instinto fundamental e, na classificação comum, ele costuma ser divido em três, a saber: instinto de auto-preservação ou vontade de viver; instinto sexual ou vontade de criar; e instinto de clã ou impulso social. 

A esses três, Jung acrescenta um quarto instinto, que ele reivindica como prerrogativa unicamente do homem – o instinto de religiosidade. Esse instinto é o contrabalanço dos três 
impulsos biológicos dos instintos primitivos e é, portanto, parte essencial da constituição do homem. Qualquer que seja o sistema psicológico adotado, se não tiver esse ponto essencial, falhará em cobrir plenamente o domínio da personalidade humana. 

Embora, nos primórdios do homem, os três grandes instintos predominassem, mesmo lá o instinto religioso já estava atuando. À  medida que a humanidade evoluía, a mente consciente gradualmente desenvolvia e começava a abrandar a intensidade de alguns impulsos instintivos, direcionando essas energias para novos canais. Mas isso era feito de maneira ignorante e  irregular, de forma que um atrito considerável ocorreu na mente do homem. 

Com o advento do Cristianismo e a violenta reação contra as velhas crenças, essas repressões dos instintos naturais tornaram-se intensificadas e gradualmente passaram a ser aceitas como parte da própria fé cristã, até que, no período vitoriano, alcançaram o ponto culminante. A mente consciente, afirmando-se de acordo com um código de ética, era a mais elevada realização da evolução humana. 

Mas isso resultou no aumento gradual do que é, em parte, a doença do mundo ocidental – a “psiconeurose”. Existem, naturalmente, neuróticos em todas as raças, mas de longe o maior 
número deles se encontra nas civilizações ocidentais. Os poderosos instintos, ao serem obrigados a se voltar para si mesmos, tornaram-se deformados e pervertidos, e a energia que deveriam trazer para as elaborações da mente consciente, caso fossem adequadamente 
dirigidos ou “sublimados”, se perde no atrito interno, dando a sensação de frustração tão comum no Ocidente. 

Essa repressão do poder dinâmico do indivíduo resultou no estabelecimento de forte linha de clivagem entre os níveis subconsciente e consciente da mente. Mas é óbvio que será somente trazendo à mente consciente o poder dinâmico depositado abaixo do limiar que as 
atividades do homem poderão alcançar seu verdadeira nível. É justamente tal libertação do subconsciente que se constitui o objetivo da moderna psicoterapia, e é isso também que se almeja na magia moderna. 


Isso não significa que os instintos primitivos possam ser libertados em sua forma mais grosseira, mas ao contrário, sua energia deveria ser canalizada e redirigida para outros canais. Deveria haver, contudo,  similaridade natural entre a energia que está sendo redirecionada ou “sublimada” e o novo canal de expressão que lhe é oferecido. Um exemplo disso é a recomendação freqüente dada a adolescentes perturbados por seus excessivos impulsos sexuais: “Façam esportes, ginástica, etc., e trabalhem” Algumas vezes o remédio dava certo - com mais freqüência fracassava, aparentemente aumentando o impulso que deveria diminuir. Isso acontecia porque o canal para a primeira tendência biológica havia sido usado para a força pertencente ao segundo impulso. 

O esporte é uma maneira esplêndida de sublimação do instinto de auto-preservação, e as associações grupais que propicia também formam um bom canal para o instinto gregário, mas eles são inadequados para o instinto sexual, que é essencialmente individualista e criativo. Hoje em dia, o conselho geral a esses sofredores é que se engajem em trabalhos criativos e busquem as artes para que possam criar, manufaturar, produzir nem que seja um banco rústico para seu jardim. Tais tarefas oferecem excelente fonte de sublimação. 

Não se pode pensar que a totalidade da energia de tais instintos possa ou deva ser sublimada, mas essas energias básicas deveriam ser aproveitadas para o desenvolvimento contínuo do espírito do homem. É aqui que o quarto instinto apontado por Jung surge, pois é a contraparte que vai atrair o desenvolvimento do homem na direção das grandes altitudes, e podemos, com vantagem, comparar esse quarto impulso com o que os ocultistas 
chamam de eu superconsciente ou eu superior, e o mago chama de anjo guardião. 

A pesquisa psicanalítica moderna aponta na direção da existência, o inconsciente ou subconsciente, de certos níveis ou camadas de desenvolvimento, e a mais profunda dessas camadas liga o indivíduo não apenas à mente de seus vizinhos imediatos, mas, sucessivamente, ao processo mental de toda a humanidade abaixo de certo nível e, abaixo disso, novamente com a consciência do reino animal e vegetal. Isso leva a crer que, assim como nossos corpos têm dentro da sua própria estrutura as marcas de seu desenvolvimento evolutivo oriundo dos reinos mais inferiores da natureza, nossa mente mostra linha similar de evolução. 

Existe o que é denominado “subconsciente pessoal”, que consiste de idéias, emoções e memórias, algumas das quais foram empurradas para baixo do limiar, porque nos recusamos a reconhecer até para nós mesmos que seríamos capazes de tais pensamentos. Esses grupos de pensamentos carregados com energia emocional são conhecidos como “complexos” ou “constelações”, e onde eles tiveram seu reconhecimento recusado tendem a se desgarrar da unidade geral e tornar-se semi-independentes. Diz-se então que se tornaram “dissociados”, e são esses complexos dissociados, juntamente com toda gama de experiências esquecidas, memórias e emoções que se configuram no “subconsciente pessoal”. 

Ao nos aprofundarmos ainda mais, vamos nos deparar com aquelas emoções e pensamentos, aquelas imagens primordiais  que compartilhamos com toda a humanidade, não somente com a humanidade atual, mas também com a humanidade passada. Esse “inconsciente coletivo” é e foi background condicionador da nossa mente subconsciente, e as imagens e memórias sepultadas em suas profundezas exercem influência sobre nossas vidas que, embora desconhecida para nosso eu vígil, é extremamente poderosa. 

Sabe-se que o inconsciente, pessoal ou coletivo, trabalha por meio de figuras ou imagens, pois a palavra é um desenvolvimento comparativamente recente. Assim sendo, diz Jung:
“Quem fala por imagens primordiais, fala com mil línguas: agarra e sobrepuja, e, ao mesmo tempo, eleva o que tira do individual e do transitório pessoal à esfera do eterno, exalta o quinhão pessoal à dimensão do homem e, assim, libera em nós todas aquelas forças úteis que desde sempre vêm capacitando a humanidade a se auto-resgatar de qualquer desastre e a sobreviver à mais longa das noites.” 
A magia, com suas origens no passado imemorial, faz exatamente isso, fala ao subconsciente do homem por meio de linguagens arcaicas de seus símbolos e rituais, e então produz “mudanças na consciência” que o mago tanto busca. Assim foi também com o Senhor Jesus que: “Sem a parábola, não se dirigia a eles”.(Marcos IV, 34). 

Podemos resumir tudo o que foi dito neste capítulo dizendo que a melhor escola de psicologia moderna estabelece a existência de quatro níveis mentais, a saber: 

(A) a mente consciente desperta 
(B) o subconsciente pessoal 
(C) o subconsciente coletivo 
(D) a supraconsciência* 

*Esse termo, na verdade, foi abandonado pela psicologia atual e recuperado por uma escola bem moderna surgida nos EUA com o nome de “mente transpessoal”, que também dá nome a esta linha – a “Psicologia Transpessoal”.(N.doT.) 

Todos esses são aspectos da mente, mas desses, só estamos conscientes de um, a mente em 
seu estado vígil. Embora todo o restante constantemente nos afete, com freqüência descobrimos que as correntes misteriosas e ocultas do eu profundo nos impelem por caminhos que conscientemente não escolhemos. 

Ter capacidade de se tornar consciente do jogo das correntes ocultas e dirigi-las na tarefa de conduzir a vida pelos caminhos da sabedoria e da paz é o desejo ardente de qualquer mago ao olhar para as profundezas de seu ser; e, ao vislumbrar a centelha da luz eterna que é o seu verdadeiro centro, ele exclama em nome e pelo nome da centelha: “Eu a onipotência ao meu comando e a eternidade à minha disposição!” 



Continua... Cap 3 - A Tese Mágica

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A Magia e o Mago – E. W. Butler
Ed Bertrand – 2a Edição
Magia: Ritual, Poder e Propósito