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13 de out. de 2009

Esoterismo, Ocultismo e Misticismo


Primeiro assunto do livro de Dion Fortune: "As Ordens Esotéricas e seu Trabalho". Antes de nos aventurarmos ao estudo do livro, a autora considera importante primeiramente se definir o sentido em que a palavra esoterismo é usada. A realização de tal tarefa é bastante difícil, já que se trata de uma palavra relativa, usada para se distinguir de "exoterismo". 


O esoterismo começa onde o exoterismo termina. E como as fronteiras da ciência exotérica sempre estão avançando, as fronteiras do esoterismo estão sempre recuando. O que era ensinado aos iniciados no Egito, hoje é ensinado às crianças nas escolas da Inglaterra. Leitura, Escrita e Matemática foram, outrora, artes ocultas. O mesmo acontece com os aspectos mais profundos da hipnose, embora alguns dos seus aspectos menores tenham sido redescobertos por cientistas exotéricos. A medida que a evolução avança, o homem comum torna-se capaz do que outrora foi possível apenas para o homem excepcional. O que o homem civilizado é em relação ao selvagem é o adepto em relação ao homem comum. Os poderes do homem civilizado parecem miraculosos para o selvagem porque ele não conhece as leis que o dominam, mas o homem civilizado sabe bastante bem que o homem não transcende o império da lei quando voa como um pássaro ou quando cura um enfermo. Ele alcança esses resultados pelo conhecimento de certas leis naturais, e as utiliza, tal como faz o adepto.


Pessoalmente, o selvagem pode beneficiar-se pela educação, ou pode não ser capaz disso. Dependerá da sua capacidade. O homem médio pode ser capaz de beneficiar-se pela iniciação, ou pode não o ser. Também dependerá da sua capacidade.


Todas as pessoas, entretanto, deveriam ter a oportunidade de avançar até o mais alto desenvolvimento de que sejam capazes. Um certo grau de evolução deve ser obtido antes que a iniciação se torne operativa: um estudante não entra num curso de pós-graduação enquanto não chegou à formatura. A função da religião exotérica é zelar para que cada membro da raça alcance o padrão normal da evolução. Ela tem de procurar a ovelha perdida e erguer a décima moeda submersa. Enquanto um homem não aprende as lições da sua fé, não está preparado para as lições da iniciação.


A função dos Mistérios Menores é permitir que cada pessoa admitida ao seu ensinamento alcance o mais alto grau de desenvolvimento de que seja capaz. Nos Mistérios Menores são desdobradas as capacidades latentes do homem, mas nos Grandes Mistérios são desdobradas as capacidades ocultas da Natureza. Os Mistérios Menores ocupam-se com a esfera subjetiva, e os Grandes Mistérios ocupam-se com a esfera objetiva, e um é pré-requisito essencial do outro. Não é possível que um homem controle as essências elementares da Natureza, a não ser que seja senhor dos aspectos elementares da sua própria natureza, porque os poderes interiores, se rebelados, irão traí-lo com os poderes exteriores. A disciplina deve preceder o domínio. Atuamos sobre o que está no exterior pelo aspecto correspondente do que está no interior. Se a Natureza não for purificada, fará um contato confuso quando tocar o Invisível. As operações do ocultismo são baseadas nos poderes da vontade e da imaginação, e ambas são forças cegas. A não ser que sejam controladas e dirigidas por um motivo que tenha relação com o Universo como um todo, não é possível que haja uma síntese definitiva. A personalidade deve ser universalizada pelo ideal a que se dirige, a fim de que possa funcionar como parte organizada do todo cósmico. Esse anseio de universalidade é o anseio definitivo da alma; o eu inferior procurará atingi-la atraindo todas as coisas para si próprio, numa fúria de posse; o Eu superior procura alcançá-la transcendendo os limites do eu e tomando-se um com o Universo. Há duas uniões a serem alcançadas: o eu pode tornar-se um com o Universo por meio da solidariedade universal, essa é a meta do ocultista, mas o eu pode também fazer-se um com o Criador do Universo por meio de absoluta devoção, essa é a meta do místico. O ocultista, porém, tendo atingido sua própria meta, ainda não fez sua integração final, ainda não passou do aspecto fenomenal manifestado no cósmico. E o místico, tendo alcançado sua transcendente união, não pode retê-la, pois deve retornar ao universo fenomenal. A integração definitiva só pode ser alcançada através da solidariedade universal e da devoção absoluta unidas em uma natureza. Em tal pessoa todas as coisas são reunidas por meio da solidariedade, e ela, por sua vez, é reunida ao TODO por meio da devoção.


Essa é a meta definitiva da evolução para o Universo manifestado como um todo; e aquele que passa pelo Caminho da Iniciação apenas antecipa a evolução. A função dos Mistérios é dar assistência ao iniciado para palmilhar aquele trecho do Caminho que já foi explorado, mas além dele está uma seção que não é conhecida por consciência alguma que esteja em sua forma física. Essa seção o homem deve percorrer a sós com seu Mestre. Ainda mais além, há uma outra seção onde o homem fica sozinho com o seu Deus.


Isso não pode ser conseguido em apenas uma encarnação. Três encarnações de absoluta devoção, sem erro, devem bastar, mas quem está isento de erro, e a que distância deveremos estar na Senda, antes que a devoção absoluta seja alcançada? Não podemos sair da marcha da evolução com um pé e com ò outro penetrar na Luz Cósmica. São precisos muitos passos para palmilhar a Senda, e alguns deles falham e têm de ser repetidos. As dificuldades são enfatizadas porque muitos se aventuram levianamente nessa grande e terrível experiência, mas os frutos dela não são minimizados, porque transcendem tudo que os olhos podem ver e o coração pode sonhar. Nem precisaremos esperar pelo fim da jornada para fazer a colheita desses frutos. Dia a dia o maná caiu durante toda a jornada através do deserto, embora o Egito tivesse de ser abandonado, e o Mar Vermelho, transposto antes que aparecesse.


Assim, na grande jornada da alma até à Terra Prometida, que é o Caminho da Iniciação, a segurança das habitações humanas tem de ser deixada, e a alma viaja, sem abrigo e solitária pelo deserto, chegando ao Mar Vermelho. ê a essa altura que o fraco volta as costas e retorna à escravidão, para trabalhar como um mouro, sem que por isso seja recompensado. Se o teste supremo do Mar Vermelho for enfrentado, as ondas se dividirão por uma força invisível, e o viajante passará sobre piso seco, com uma parede de água levantada a cada lado. Esse é o teste da fé, porque, pela lei do mundo, aquelas águas deveriam cair, e só uma lei superior as mantém afastadas.


Então, tendo passado pelo teste com segurança, embora ainda esteja no deserto, águas fluirão das pedras e o maná cairá diariamente porque, apesar de viver ainda no mundo dos sentidos, o peregrino se colocou sob a ação de uma lei superior.




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Fonte: As Ordens Esotéricas e seu Trabalho 

Dion Fortune

16 de set. de 2009

Baphomet


Baphomet é um ídolo, sua representação mais conhecida é devida ao ocultista Eliphas Levi.


História de Baphomet

A história em torno de Baphomet está intimamente relacionada com a da Ordem do Templo, ou Ordem dos Templários, pelo Rei Filipe IV de França e com apoio do Papa Clemente V, ambos com o intuito de desmoralizar a mesma, pois o primeiro era seu grande devedor e o segundo queria revogar o tratado que isentava os Cavaleiros Templários de pagar taxas à Igreja Católica.



A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, também conhecida como Ordem do Templo, foi fundada no ano de 1118. O objetivo dos cavaleiros templários era supostamente proteger os peregrinos em seu caminho para a Terra Santa. Receberam como área para sua sede o território que corresponde ao Templo de Salomão, em Jerusalém, e daí a origem do nome da Ordem.


Segundo a história, os Cavaleiros tornaram-se poderosos e ricos, ultrapassando os soberanos da época. Segundo a lenda, teriam encontrado no território que receberam, vários documentos e tesouros que os tornaram poderosos. De acordo com alguns, ficaram com a tutela do Santo Graal dentre outros tesouros da tradição católica.


Em 13 de outubro de 1307, sob as ordens de Felipe, o Belo (homem torpe e grande devedor de dinheiro para a Ordem e favores para o Grão-Mestre Jacques DeMolay, sendo este inclusive padrinho de seu filho) e com o apoio do Papa Clemente V, os cavaleiros foram presos, torturados e condenados à fogueira, acusados de diversas heresias.


A Igreja acusava os templários de adorar o diabo na figura de uma cabeça de bode que eles chamavam de Baphomet (a partir daí criou-se a crença de um demônio chifrudo), de cuspir na cruz, e de praticar rituais de cunho sexual, inclusive práticas homossexuais (embasado no símbolo da Ordem, que era representado por dois Cavaleiros usando o mesmo cavalo). O Baphomet tornou-se o bode expiatório da condenação da Ordem pela Igreja Católica e da matança de templários na fogueira que se seguiu a isto.

Origem da expressão "Baphomet"



A origem da palavra Baphomet ficou perdida, e muitas especulações podem ser feitas, desde uma corruptela de Muhammad (Maomé - o nome do profeta do Islã), até Baph+Metis do grego "Batismo de Sabedoria". Outra teoria nos leva a uma composição do nome de três deuses: Baph, que seria ligado ao deus Baal; Pho, que derivaria do deus Moloc; e Met, advindo de um deus dos egípcios, Set.


A palavra "Baphomet" em hebraico é como segue: Beth-Pe-Vav-Mem-Taf. Aplicando-se a cifra Atbash (método de codificação usado pelos Cabalistas judeus), obtém-se Shin-Vav-Pe-Yod-Aleph, que soletra-se Sophia, palavra grega para "sabedoria".

Significados possíveis



O símbolo do Baphomet é fálico, haja vista que em uma de suas representações há a presença literal do falo devidamente inserido em um vaso (símbolo claro da vulva). O Baphomet de Levi possui mamas de mulher e o pênis é metaforicamente representado por um Caduceu. Este tipo de simbologia sexual aparece com freqüência na alquimia (o coito do rei e da rainha), com a qual o ocultismo tem relação.


A figura do Baphomet também é relacionada às virgens que apresentavam anomalias em seus bustos. As virgens de 3 mamilos e as virgens de apenas 1 seio eram tatuadas com a cabeça do Baphomet para que nenhum homem pudesse tocá-las. Diziam que as mulheres com tais anomalias genéticas eram amaldiçoadas.


Pode ser interpretado em seu aspecto metafísico, onde pode representar o espírito divino que "ligou o céu e a terra", tema recorrente na literatura esotérica. Isto pode ser visto no Baphomet de Eliphas Levi, que aponta com um braço para cima e com o outro para baixo (em uma posição muito semelhante a representações de Shiva na Índia). No ocultismo isto representaria o conceito que diz "assim em cima como embaixo".
Eliphas Levi lista as mais frequentes representações do Baphomet:

1.um ídolo com cabeça humana;
2.uma cabeça com duas faces;
3.com barba;
4.sem barba;
5.com a cabeça de um bode;
6.com a cabeça de um homem;
7.com a cabeça de um bode e o corpo de homem;


Muito embora várias tenham sido sua suposta representação, a única imagem de Baphomet encontrada em um santuário templário consta de uma cabeça humana com três faces, cada uma representando uma face de Deus (o Deus Judeu, o Deus Islâmico e o Deus Cristão). Hoje sabe-se que a figura do bode de Mêndes, a qual Eliphas Levi atribuiu o "posto" de Baphomet, não passa de uma figura ocultista que nada tem a ver com o Baphomet Templário.


Baphomet Por Eliphas Levi



Na classificação e explicação das gravuras de seu livro: Dogma e Ritual da Alta Magia, Eliphas Levi classifica a imagem de Baphomet como a figura panteística e mágica do absoluto. O facho colocado entre os dois chifres representa a inteligência equilibrante do ternário; e a cabeça de bode, reunindo caracteres de cão, touro e burro, representa a responsabilidade apenas da matéria e a expiação corporal dos pecados. As mãos humanas mostram a santidade do trabalho e fazem o sinal da iniciação esotérica a indicar o antigo aforismo de Hermes Trismegisto: "o que está em cima é igual ao que está embaixo". O sinal com as mãos também vem a recomendar o mistério aos iniciados nas artes ocultas. Os crescentes lunares presentes na figura indicam as relações entre o bem e o mal, da misericórdia e da justiça. A figura pode ser colorida no ventre (verde), no semicírculo (azul) e nas penas (diversas cores). Possuindo seios, o bode representa o papel de trazer à Humanidade os sinais da maternidade e do trabalho, os quais são signos redentores. Na fronte e embaixo do facho encontra-se o signo do microcosmo a representar simbolicamente a inteligência humana. Colocado abaixo do facho o símbolo faz da chama dele uma imagem da revelação divina. Baphomet deve estar assentado ou em um cubo e tendo como estrado uma bola apenas ou uma bola e um escabelo triangular.

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Fontes:
Dogma e Ritual da Alta Magia - Eliphas Levi
Wikipédia

14 de set. de 2009

O que é o Ocultismo?


Não há diferença entre o antigo e o moderno ocultismo. Até onde sei, todo verdadeiro "ocultismo" está fundamentado nos mesmos princípios, embora os termos em que eles foram expressos tenham variado em diferentes idades.


Por ocultismo entendo a ciência, ou melhor dizendo, a sabedoria que dá uma explicação verdadeira e exata do trabalho das leis da natureza, assim como sua aplicação , em todo o universo.


Posto que toda verdade é una, seus ensinos devem necessariamente estar de acordo com todos os fatos provados da ciência, quer seja antiga ou moderna. Até mais, ela deve explicar todos os fatos da história, ou as leis que governam as relações entre os homens, todas as mitologias, e as relações com que o homem se encontra com respeito ao universo.

É, de fato, a ciência da origem, o destino, os poderes do universo e todas as coisas que ele inclui.

O ponto discordante entre ocultismo e ciência moderna é que o primeiro trabalha para usar as forças e materiais da natureza em sua condição natural enquanto o ultimo usa estes em sua condição separada e limitada nos planos inferiores da manifestação.

Por exemplo o ocultista usa uma força invisível da mesma natureza quando quer produzir correntes de calor, eletricidade, e outros semelhantes, como elementos em sua forma mas alta e espiritual enquanto que o cientista é obrigado a usar materiais como a luz , água, etc. e primeiro deve desintegrá-los em seus componentes básicos, como eles se encontram no plano material inferior, para levar a cabo seus experimentos.

O ocultista observa a natureza como uma unidade , e atribui toda diversidade ao fato de que esta unidade compõe-se por manifestações nos diferentes planos, percepção de cujos planos depende do desenvolvimento do observador.

Acredita que a única lei que se estende a todas as coisas é o desenvolvimento por evolução, a um grau quase infinito, até a fonte original de toda evolução - O Logos Divino: Daí que o homem, tal como lhe conhecemos é capaz de um desenvolvimento quase infinito.

O também acredita na absoluta unidade original de todas as formas e modos de existência, e que todas as formas de matérias são intercambiáveis , assim como o gelo pode converter-se em água e vice-versa. Ao olhar a idéia dos milagres, sua idéia é que os homens excepcionais podem obter faculdades adicionais de percepção e ação e ser capazes de controlar os elementos...

Acreditando que a natureza e suas leis são unas, o ocultista sabe que toda ação contrária as suas leis encontra força opostas e será destruída, e assim o homem desenvolvido deve , se deseja obter a divindade, converter-se em um cooperador da natureza. Isto deve fazê-lo treinando-se a si mesmo de acordo com a natureza. Esta conformidade com a natureza o conduz a atuar com benevolência para obter sem desviar o mas alto bem, porque o que se chama bem não é mais que a ação de acordo com a Lei Una. O ocultismo não dá uma afirmação racional da conduta correta como nenhum outro sistema, porque o converte à moral em uma lei cósmica, em vez de apoiá-la em uma superstição. Ainda mais, a realização da unidade da natureza conduz o ocultista a compreender que a unidade da vida que subjaz a tudo esta trabalhando também dentro de si mesmo e o esta conduzindo a encontrar na consciência não meramente um critério do correto e o incorreto, mas sim o germe de uma faculdade superior, uma luz que o guia em seu caminho, enquanto que na vontade o encontra força capaz de indefinido incremento e expansão.

Todas as mitologias são representações pictóricas das leis e forças da natureza , como os credos não são nada mais que as expressões parciais das leis universais, através do estudo intuitivo das mas antigas que estão em poder do conhecimento oculto. Este conhecimento em sua pureza foi transmitido desde tempos imemoriais de mestre a discípulo e cuidadosamente conservado de seu abuso recusando-o a compartilhá-lo até que o candidato haja realmente provado ser incapaz de usá-lo incorretamente porque é óbvio que nas mãos de uma pessoa ignorante e mau disposta seu uso pode trazer um enorme dano.

Os experimentos atuais de leitura do pensamento, psicometria, clarividência, mesmerismo, etc...mostraram que existem boas razões para acreditar que existem poderes ocultos e faculdades latentes no homem.

As "maravilhas" do ocultismo são o resultado de uma cultivação científica e o fruto do perfeito controle sobre estes poderes

Esta sabedoria secreta é o fundamento de todas as antigas religiões e filosofias, quer sejam Indianas, Egípcias, Caldeias, Zoroástricas, Gregas, etc. Seus rastros se encontram em todas as idades e países, não há engano mas grande que se supor que sua realidade depende de uma só autoridade . Seus iniciados e adeptos formam uma sucessão ininterrupta da mais antiga aparição do homem neste planeta, sua organização é hoje como era virtualmente há milhares de anos, e como será dentro de milhares de anos. No momento atual esta vibrando mas na mente das pessoas e muitos então acreditam que é uma coisa nova. Não é assim. Assim como em alguns momentos do ano a luz do dia tem maior duração que em outros assim mesmo a luz divina da sabedoria em alguns ciclos é mas abertamente difundida que em outros.

Para aqueles que tenham olhos para ver, uma luz mas brilhante surgiu , mas ela não deixará de brilhar porque poucos lhe prestam atenção e muitos inclusive a desprezam, enquanto outros a mal representem e tratem de persuadirem-se a si mesmos e a outros que não há senão trevas sobre todos.

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T.Subba Row, O Mundo, Janeiro 1905