Doenças virais e bacterianas altamente infecciosas incluindo a famosa Peste Negra [medieval, causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida ao ser humano através das pulgas dos ratos-pretos ─ Rattus rattus ─ ou outros roedores], a febre amarela [transmitida por mosquitos contaminados por um flavivirus], sarampo [causado por um paramyxovirus], varíola [virose] e a gripe espanhola, que matou 50 milhões de pessoas no fim da Primeira Guerra Mundial, essas doenças, seus agentes, se movem de uma célula para outra transformando cada novo hospedeiro em uma central multiplicadora de mais vírus [e/ou bactérias e outros microrganismos mais complexos descobertos recentemente]. Deste modo, uma célula infectada produz bilhões de outras células infectadas até que o hospedeiro morra.
Junk-DNA ─ Esses fragmentos virais [patogênicos] são fósseis que trazemos em nós, relíquias da evolução; é o Junk-DNA, o DNA-lixo ou lixo do [ou no] DNA ─ que tem sido considerado por alguns, até agora, como um material inútil; por outros, algo cuja função a ciência desconhece.
Combinando informações e técnicas das ciências virologia e biologia evolucionária, ele [Heidmann] e sua equipe resgataram/reconstruíram um vírus que estava extinto há milhares de anos, decifrando o modo como suas partes [do vírus] eram originalmente compostas [alinhadas] e, então, reunindo estas partes [daquele modo, original]. [Isso foi como ressuscitar o vírus]. Depois dessa ressurreição, os cientistas introduziram-no em células humanas e descobriram que o vírus recuperado atuava normalmente infectando aquelas células. Gatos e hamsters também foram infectados e ficaram doentes.
Não é algo para se se temer, mas para ser comemorado ─ acredita Heidmann. O mais curioso é perceber que os agentes das retroviroses endógenas são, ao mesmo tempo, genes e vírus; e enquanto genes, contribuem para fazer de nós o que somos. Não estou certo se teríamos sobrevivido como espécie sem esse mecanismo de incorporação do gene do vírus ao genoma humano.
O Fênix pode ajudar a entender como o HIV funciona, por exemplo mas, além disso, o Fênix pode esclarecer como nós funcionamos, como nós evoluímos. Muitos estudam a evolução humana atentando a aspectos como o bipedalismo, a postura ereta ou o significado da domesticação de animais. Creio que igualmente importante é o papel da patogenias [das doenças] no modo como nós somos hoje.
Heidemann exemplifica citando o processo e gestação e nascimento [vivíparo]: sem as retroviroses endógenas, talvez os mamíferos jamais tivessem desenvolvido a placenta. [Talvez nem houvesse mamíferos]. A placenta é a proteção e a conexão entre os organismos do feto e mãe. Sem a placenta o bebê não poderia ficar nove meses desenvolvendo-se no útero de modo a poder amadurecer e desenvolver por completo a configuração dos sistemas vitais.
A gestação em placenta é uma das respostas para a predominância da espécie humana sobre os pássaros, répteis e peixes. Ovos não eliminam detritos nem podem fornecer nutrientes por muito tempo de gestação; e sem esse tempo de gestação não é possível que um cérebro se desenvolva o suficiente para uma espécie ser tão versátil quanto a espécie humana. Heidmann conclui: É muito possível que, sem as viroses, os seres humanos se reproduzissem botando ovos.
Comente! Seu comentário é muito importante para nós!
Biologia - Paleovirologia
Viroses e Evolução da Espécie Humana
Did Prehistoric Viruses Trigger Human Evolution?
IN DAILY GALAXY ─ publicado 04/09/200. Trad.: Ligia Cabus
[www.dailygalaxy.com/my_weblog/2009/09/did-prehistoric-viruses-trigger-human-evolution-a-galaxy-classic.html]


