28 de set de 2009

As Origens da Magia Ocidental


A palavra "magia" é inadequada em várias situações, visto que vários significados podem lhe ser atribuídos. Existe a magia dos ilusionistas de circo, que cerram moças ao meio e tiram pombos das mangas. Por outro lado, temos a magia do antropólogo: ritos primitivos de fertilidade, superstições e curiosidades folclóricas...


Existe também a magia negra, a realização de atos nefastos para obter vantagens egoísticas, assegurando favores de demônios. Por fim, está a magia do ocultista ocidental, um sistema altamente sofisticado, cujas origens, procuraremos não nas lendas ou folclore, e sim na literatura hermética e gnóstica do Império Romano.

Grande parte dos textos que compõem a literatura gnóstica estão relatados em forma de diálogos entre deuses e deusas (parte das escrituras tântricas também). Temos como figura central desse diálogo, Hermes Trimegisto (Hermes, o três vezes grande), manifestação de deidade grega que, pelo menos quatrocentos anos antes de Cristo, era conhecida como Toth, deus egípcio da sabedoria, magia e escritura. Imhotep, glorificado cientista egípcio; Ísis, deusa dos mistérios, e Tat, outra encarnação de Toth, são outros personagens que costumam aparecer nesses diálogos. A natureza destas divindades era interpretada hermeticamente em dois planos: num inferior, tais divindades eram tratadas como personagens concretos (fisicamente parecidas aos seres humanos); no nível superior, mais elevado, tais divindades eram consideradas como personificações de princípios cósmicos.


Muitas recopilações de textos herméticos existem, mas, sem dúvida, a que mais afetou o desenvolvimento da magia ocidental foi o Corpus Hermeticum, sobretudo o seu primeiro tratado, O divino Pimandro. O autor relata como contemplou o divino Pimandro, essência da onipotência, e lhe suplicou que lhe concedesse o conhecimento direto de Deus e do universo. Em resposta a seu desejo, obteve uma resposta de trevas e luz. Das trevas, procede a substância básica da qual o universo está composto; da luz, surgem o espírito e a razão. Deste espírito nasce o Demiurgo, o homem original, criador de todo o céu e da terra, cuja residência está nas estrelas. Esse homem original, cativado por sua própria imagem refletida nas águas da terra, descende e fica preso ao mundo. Deste homem caído, descendem os seres humanos atuais, presos em corpos mortais, porém dotados de um espírito imortal e capazes de alcançarem a libertação da matéria, ascendendo até a divindade. “Pois o objetivo de todos os que possuem inteligência é se converterem em deuses”.


A doutrina dualista entre espírito e matéria, assim como a idéia de que se pode alcançar a ascensão via conhecimento, estava também presente no gnosticismo. No entanto, os mesmos acrescentaram o conceito de uma sociedade secreta de Iniciados, comprometidos a guardar segredo da natureza de seus ritos e do conhecimento que se obtém ao praticá-los.

Tal conceito de fraternidade secreta na qual se ensinam conhecimentos secretos, assim como a crença no dualismo hermético da matéria e espírito, são comuns a todas as Ordens Mágicas importantes dos nossos dias. Além disso, a tradição mágica geral absorveu algumas teorias herméticas bastante obscuras e excêntricas. Um bom exemplo é a explicação sobre a natureza das imagens dos deuses no tratado Asclepius: “Os nossos antepassados conjuravam as almas de demônios ou de anjos e as introduziam, por métodos sagrados e misteriosos, nas imagens dos deuses, para que elas adquirissem o poder de provocar o bem e o mal”.


Essa idéia de que as imagens podem se transformar (a partir de representações de princípios cósmicos) em objetos mágicos dotados de vida e inteligência próprias, exerceu grande influência na magia ocidental. Trata-se também de um conceito que se deriva da teoria das correspondências que afirma que “todo fator material do universo não é mais do que o reflexo de algum princípio cósmico”. Um bom exemplo citado é o das rosas, que seriam um reflexo do princípio cósmico personificado em Vênus.

Os antigos, para animar estátuas mágicas, utilizavam técnicas baseadas em amuletos e símbolos. Tais amuletos poderiam ser pedras, flores, perfumes, ervas, animais e seres que se acreditava que correspondiam às qualidades do deus ou da deusa cuja imagem pretendia-se animar. Depois que os símbolos eram inseridos na imagem, entoavam-se palavras secretas de poder, e então, se tudo tivesse sido feito corretamente, o deus indicava a sua presença de alguma forma milagrosa, animando a imagem ou concedendo a iluminação mística a seus seguidores.

Essa doutrina hermética das correspondências, na qual o emprego de símbolos para fins mágicos é baseado, continua viva até hoje e constitui um dos quatro conceitos fundamentais nos quais se baseou o surgimento da magia moderna.


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Fonte: Magia - Francis King
Imagem: Wikipédia

2 comentários:

Anônimo disse...

Excelente post!!

Anônimo disse...

Gostaria de ver alguma tecnicas para uso e evolucao do conhecimento de minha essencia, saber como retirar o veu que nao me permite enxergar a realidade.

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