27 de set de 2009

Crimes Esotéricos - Parte III


Rock (ou Cultura) e Crimes Esotéricos



Um dos casos mais famosos de assassinatos esotéricos ligados ao rock foi a ação do maníaco americano Charles Manson e sua fascinação pela música dos Beatles. Manson era um fanático religioso que acreditava ser Jesus Cristo encarnado e possuir uma "família", que eram os seguidores de suas pregações.


Manson acreditava também que os Beatles eram anjos mandados a Terra por Deus para avisar os homens sobre o terrível apocalipse que se aproximava, e que eles haviam feito isso através do famoso White Album, o Álbum Branco. As canções segundo interpretações de Charles Manson, citavam suicídio (Yer Blues), os próprios sons do Armageddon, trazidos pelos "anjos do apocalipse" (Revolution#9), sugestões de destruição (a versão de Revolution contida no álbum chamada de Revolution#1 era um take mais lento do famoso single da banda e na frase que fala "But when you talk about destruction... don´t you no that you can count me out..." eis que imediatamente após a última palavra (out) uma voz pronuncia de uma forma bem clara "in") e, principalmente, as guerras raciais figuradas em diversas músicas.


Essas guerras raciais são sugeridas para Mason em, por exemplo, "Piggies", que seriam os "porcos brancos" e "Black Bird" possivelmente os Panteras Negras. Notava no fade de "Piggies", sons de metralhadoras, sugerindo a guerra declarada, o caos total, as guerras raciais, a destruição, a revolução final.


Charles Mason em certa época teve uma música supostamente roubada pelos "Beach Boys", sua canção "Cease to Exit" teria sido utilizada pelo grupo californiano sobre o título de "Never Learn Not to Love" para o álbum 20/20. A fúria de Manson caiu principalmente sobre Terry Melcher (filho de Doris Day), um produtor musical que havia negado um contrato de gravação de suas músicas, incluindo a utilizada pelos Beach Boys, estes fazendo grande sucesso com o plágio de sua canção.

Assim, Mason decide invadir com sua "família" a ex-residência do produtor Melcher. Na loucura de Manson, não importava se Melcher morasse ou não lá. A nova moradora era a atriz Sharon Tate na época recém casada com o diretor Roman Polanski. A artista estava com alguns amigos em sua casa. Manson promoveu uma chacina, numa atitude absurdamente covarde.

A familia Manson utilizou o sangue de suas vítimas para escrever nas paredes da casa "Helter Skelter", "Political Piggy" e "Arrise". Helter Skelter e seu significado tomado por Manson, citados antes, seriam o seu propósito, Political Piggy seria a referência às pessoas mortas ali e Arise, uma citação a um trecho da música "Black Bird": "You’re only waiting for this moment to arise" (Você está esperando somente este momento para levantar-se), este trecho é repetido várias vezes na música.



Um outro fato ligando os Betles e seu Álbum Branco com Charles Mason, é que um dos assassinos da família possuía o apelido "Sexy Sadie", nome de outra música do disco do grupo musical.

O rock satânico tal como se conhece agora, o "Death Metal", tem sua origem no Heavy Metal, movimento musical surgido no final dos anos 60 (Black Sabbath, 1969) que se inspira, entre outros, em Lede Zeppelim. Em algumas letras das canções desse grupo se oferece a vida de satanás. O músico do grupo nazi-satânico, o sueco Burzum, assassinou um colega seu de Mayhem obedecendo a um sinistro rito.

A relação cultural entre o rock e o satanismo remonta aos tempos em que os Roling Stones confraternizaram com o diabo em álbuns como, por exemplo, Their Satanic Majesties Request (1967) e Sympathy for the Devil (1968), cuja letra diz: "Por favor, deixe-me que me apresente. Sou um homem rico e distinto (...). Tenho roubado a alma e a fé de muitos homens. Estive presente quando Jesus teve seus momentos de dúvida e dor".

Bryam Gregory, guitarrista da primeira formação de The Cramps, abandonou o grupo para unir-se a uma seita satânica. Para celebrar sua iniciação, deixou-se fotografar nu, com uma serpente enrolada no pênis. Depois montou uma banda chamada The Beast. Os próprios Cramps pertenceram a A Igleja de Satã (veja Church of Satan – Website oficial da Igreja de Satã, Legion of Loki - Igreja de Satã de em Saint Louis, Mephisto Grotto – Igreja de Satã de Chicago).

Seitas, Crenças e Crimes Esotéricos


Grupos esotéricos costumam ser autoritários em sua estrutura de poder. O líder tem autoridade suprema, podendo delegar certos poderes à uns poucos subordinados com o propósito de que os membros se submetam aos desejos e ordens do líder.

Os líderes sectários tendem a ser carismáticos, decididos e dominantes. Eles são muito persuasivos e, inclusive, podem convencer seus seguidores a abandonar suas famílias, trabalhos e amizades para seguí-los.

Normalmente os líderes são autoproclamados messias e presumem ter uma missão especial na vida. Eles centram a veneração de seus adeptos para si mesmos, ao contrário dos sacerdotes, rabinos, ministros, líderes democráticos e de movimentos realmente altruístas, os quais dirigem a veneração de seus seguidores para Deus, para princípios abstratos ou para o bem comum.

A seitas esotéricas tendem a ser totalitárias no controle do comportamento de seus membros, determinando com detalhes como e em que devem acreditar, pensar e dizer.

No Chile, depois de uma série de denúncias de seitas perigosas uma comissão especial da Câmara dos Deputados foi encarregada de investigar o assunto. Considerou que as organizações têm um "perfil destrutivo", quando se caracterizam por: Fanatismo, obediência incondicional, grupo exclusivo e fechado, líder messiânico revelado (veja).

Com essas características os fiéis rompem com o mundo, especificamente com suas famílias, seus amigos e com o entorno educacional. Eles são condicionados por meio de métodos de violação da dignidade humana e, geralmente, são exigidas condutas indignas, tais como sexualidade pervertida, trabalho escravo, sono diminuído e desprezo pela família e pelos seus valores.

A sexualidade pode ser muito manipulada, particularmente das mulheres, que chegam a exercer uma espécie de "prostituição santa" para que a seita ou o líder consiga mais facilmente seus objetivos.

Ainda na área da conduta, seus membros costumam ser estimulados a agredir e profanar outras igrejas tradicionais e lugares significantes para o cristianismo. Costumam haver profanações de cemitérios, de sepulturas, práticas de necrofilia e de necrofagia e, mais grave ainda, suicídios individuais e coletivos.

Temos visto certas manifestações psiquiátricas serem tomadas por possessões demoníacas ou fenômenos espirituais e, não obstante, o inverso também ocorre, ou seja, fenômenos religiosos e culturais serem tomados por doenças mentais.

Algumas alterações psíquicas podem ser responsáveis por várias formas de visões, alucinações, vozes e crises de dissociação histérica e outras, são confundidas com manifestações religiosas, dependendo do contexto cultural onde se inserem esses pacientes. Aliás, dependendo do meio cultural, tais alterações psíquicas acabam sendo muito bem-vindas e até engrandecem seus portadores.


As principais patologias responsáveis por esses e outros sintomas tomados como espirituais seriam:

Casos de Delírium;

Alucinose orgânica e outras
Transtornos devido ao uso de substâncias psicoativas;
Esquizofrenia e outras Psicoses;
Transtornos do humor
Transtornos Dissociativos
Transtorno de Transe e Possessão
Casos de Delírium;
Alucinose orgânica e outras
Transtornos devido ao uso de substâncias psicoativas;
Esquizofrenia e outras Psicoses;
Transtornos do humor
Transtornos Dissociativos
Transtorno de Transe e Possessão

Como bem referem alguns autores, o problema médico que decorre desse engano psiquiátrico-espiritual está no fato desses pacientes terem seu tratamento protelado perigosamente. Alguns meios culturais mais acanhados orientam esses pacientes a "desenvolverem sua mediunidade" e, de fato, acabam desenvolvendo mais ainda a patologia de que padecem. Dependendo da doença psíquica as práticas espirituais podem piorá-la gravemente. De acordo com Hélio Silva, "não me parece que uma mente transtornada venha melhorar com a entrada de algo com personalidade diferente da pessoa que é incorporada, quantas vezes provocando um grau tal de corrupção e domínio que chega às raias do bizarro, do apavorante, etc.".

No caso dos fenômenos culturais e espirituais serem tomados por doenças mentais o que está em jogo é a exaltação da convicção religiosa, compartilhada por um grupo e desencadeadora de transes com visível contaminação aos participantes do grupo. Externamos aqui uma opinião médica, emancipada totalmente da possibilidade dos fenômenos espirituais existirem ou não, lembrando sempre aos leitores que o enfoque médico é apenas uma maneira, dentre muitas, de avaliar a pessoa humana, podendo esta ser analisada pela antropologia, pela estética, pela religião e assim por diante.

Há, mesmo na medicina, pessoas qualificadas para analisar a questão do transe e possessão à luz da espiritualidade. Outros, menos sensibilizados pela espiritualidade, estudam as alterações psicodinâmicas da mediunidade (veja Wellington Zangari). A questão estará eternamente aberta.


Segundo Wellington Zangari, falando da relação entre mediunidade e dissociação, "...Há uma tendência, antiga e atual, em interpretar o fenômeno da mediunidade como um estado dissociativo. O conceito de dissociação tem sido construído diferentemente de acordo com a cultura do pesquisador. O conceito de desagregação, proposto por Pierre Janet, por exemplo, refere-se os fenômenos por meio dos quais duas ou mais idéias ou estados de consciência tornam-se separados e operam com aparente independência, tal como ocorre com a hipnose, os estados de fuga e a mediunidade. Krippner propõe que a "dissociação envolve a ocorrência de experiências e comportamentos que se supõe existirem afastados, ou terem sido desconectados, da consciência, do repertório comportamental e/ou do auto-conceito. ‘Dissociação’ é o processo pelo qual essa desconexão ocorre". Hilgard (1992) e Braun (1988) apontaram que a dissociação pode ocorrer em variados níveis, além de não estar limitada a fenômenos disfuncionais. Haveria um continuun entre a dissociação patológica e a dissociação não patológica (veja tudo)."


A chamada "Dissociação Não-Patológica" estaria, assim, condicionada aos estímulos culturais para que a pessoa a desenvolva, até como uma adequação as solicitações de adaptação ao sistema. Dessa forma, já que a adaptação está relacionada à saúde emocional, tais pessoas "adaptadas" seriam perfeitamente normais, apesar de se apresentarem em transe. Nesses casos, apesar da mediunidade dar-se através da, digamos, potencialidade dissociativa (histriônica) do médium, ela obedece sempre os anseios, vocações e valores do grupo social do médium. Serão sempre os elementos sócio-culturais do grupo, da comunidade, ou do sistema que ditarão as características das entidades possessórias evocadas pelo médium e, evidentemente, refletirão sempre conteúdos mentais do médium ou do possuído.


Alguns países tentam incluir no Código Penal, sob o rótulo de delito de controle mental, os cultos e seitas esotéricas consideradas destrutivas, apesar das grandes dificuldades encontradas pelos legisladores. Foi difícil, inclusive, encontrar um termo de consenso, o qual parece ter ficado como “Grupo Destrutivo”.

Ballone GJ, Moura EC - Crimes Esotéricos - in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br/, revisto em 2008.





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